Palavras-chave: BlackRock ETF Bitcoin, IBIT, resgate recorde, preço do Bitcoin, fluxo de ETFs
O mercado de criptomoedas foi sacudido nesta semana por uma onda de vendas sem precedentes. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), ETF de Bitcoin da BlackRock e um dos maiores do mundo em captação institucional, registrou uma saída recorde de US$ 523 milhões em apenas um dia. Somado ao fluxo negativo acumulado da semana, que já ultrapassa US$ 1 bilhão, o movimento desencadeou um alerta entre investidores e analistas.
A retirada abrupta de capital pressionou o preço do Bitcoin, que reagiu com forte queda, e levantou questionamentos sobre a sustentabilidade do recente rali impulsionado pelos ETFs, além de evidenciar a sensibilidade do mercado às mudanças macroeconômicas e regulatórias.
Fluxo negativo e reavaliação de risco
Dados divulgados pela Farside Investors mostram que o resgate recorde se espalhou rapidamente pelos mercados, provocando um efeito cascata. Desde o lançamento em janeiro, o IBIT vinha liderando o fluxo de entrada institucional no Bitcoin, acumulando bilhões sob gestão. A saída expressiva indica que grandes investidores, as chamadas “baleias”, podem estar reavaliando suas posições diante do cenário global incerto.
Entre os principais fatores para a aversão ao risco está a expectativa de que o Federal Reserve mantenha as taxas de juros elevadas por mais tempo. Esse quadro tem estimulado a migração de capital para ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro dos EUA. Embora frequentemente comparado ao ouro, o Bitcoin ainda é visto por muitos como um ativo de risco e, portanto, vulnerável a oscilações do sentimento macroeconômico.
Estudos recentes sugerem que cada US$ 1 bilhão retirado dos ETFs de Bitcoin pode representar uma queda aproximada de 3,4% no preço da criptomoeda. Assim, a saída semanal superior a US$ 1 bilhão não apenas impressiona, mas também exerce pressão direta sobre o mercado.
BlackRock no centro do debate
A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo e defensora pública do Bitcoin, agora se vê no centro de discussões sobre liquidez e maturidade dos ETFs de cripto. Apesar de promover o IBIT como uma forma segura e regulada de exposição ao Bitcoin, o episódio demonstra que o mercado institucional ainda é sensível a movimentos de pânico e oscilações inesperadas.
A volatilidade reforça que a presença de gigantes tradicionais traz legitimidade, mas também introduz novos riscos ligados ao comportamento de grandes fluxos concentrados.
Impacto ampliado no Brasil
No Brasil, o reflexo foi imediato. Investidores locais acompanham atentamente os movimentos dos grandes players internacionais, e a queda do Bitcoin no exterior foi rapidamente percebida nos fundos de cripto brasileiros e nas carteiras de investidores de varejo.
Especialistas destacam que a volatilidade faz parte da dinâmica do mercado cripto. No entanto, a entrada massiva de capital institucional, vista por muitos como um fator estabilizador, também traz um efeito colateral: a dependência das decisões dessas grandes instituições. A “liquidez dos ETFs” pode funcionar como uma via de mão dupla: impulsiona o preço na entrada, mas causa quedas bruscas na saída.
O que esperar daqui para frente
Com o mercado ainda digerindo o choque da semana, analistas observam se o Bitcoin conseguirá absorver a pressão vendedora e estabelecer um novo patamar de preço. A expectativa é que, com a estabilização do cenário macroeconômico, parte do capital possa retornar aos ETFs.
A “semana da BlackRock” ficará marcada como um lembrete de que, mesmo com a chancela institucional, o mercado de criptomoedas continua sendo um ambiente de alta volatilidade e grandes oportunidades e, igualmente, de grandes riscos.
