A tokenização de ativos do mundo real, conhecida como Real World Assets (RWA), consolida-se como uma das tendências mais relevantes — e disruptivas — do ecossistema Web3. Projeções indicam que o segmento pode alcançar US$ 300 bilhões em capitalização até o fim de 2025 e US$ 2 trilhões até 2028, posicionando os RWA no centro da transformação financeira global a partir de 2026.
O conceito é direto, mas poderoso: converter ativos tangíveis e intangíveis — como imóveis, commodities, ações, títulos de dívida e obras de arte — em tokens digitais registrados em blockchain. Com isso, esses ativos tornam-se fracionáveis, líquidos e acessíveis a investidores de qualquer porte, em escala global.
Crescimento acelerado e validação institucional
O avanço dos RWA não é impulsionado apenas por startups especializadas. Gigantes do sistema financeiro tradicional já testam e expandem soluções de tokenização. Instituições como JPMorgan e BlackRock avaliam ativamente a tokenização de fundos, títulos e instrumentos financeiros, o que confere credibilidade institucional e acelera a adoção da tecnologia.
Por que os RWA são a próxima grande onda?
A tokenização de ativos reais endereça problemas históricos do sistema financeiro, oferecendo ganhos alinhados à filosofia da Web3:
- Liquidez e fracionamento: ativos tradicionalmente ilíquidos, como imóveis de alto valor, podem ser divididos em milhares de tokens, permitindo investimentos a partir de pequenas quantias.
- Acessibilidade global: negociação 24/7, sem barreiras geográficas ou restrições de horário.
- Transparência e segurança: registros imutáveis em blockchain reduzem fraudes e a dependência de intermediários.
- Redução de custos: smart contracts automatizam processos, encurtam prazos de liquidação e diminuem despesas operacionais.
Em relatório recente, a consultoria Roland Berger afirma que a tokenização tem potencial para revolucionar a forma como financiamos, negociamos e gerenciamos ativos, com impacto transversal em diversos setores da economia.
Brasil avança com clareza regulatória
No Brasil, o movimento ganha tração à medida que o ambiente regulatório se torna mais claro. Iniciativas envolvendo tokenização de recebíveis, títulos de dívida e ativos do agronegócio já estão em operação, ampliando alternativas de captação para empresas e diversificação para investidores.
A atuação do Banco Central do Brasil tem sido decisiva ao oferecer diretrizes que aumentam a segurança jurídica do setor. Ainda assim, especialistas recomendam cautela: investidores devem priorizar plataformas com lastro legal comprovado, governança clara e transparência na custódia dos ativos subjacentes.
Visão de futuro: 2026 e além
A expectativa para 2026 é de consolidação do mercado, com o surgimento de novos índices e produtos financeiros baseados em ativos tokenizados. A entrada de grandes players tradicionais tende a padronizar práticas, reduzir riscos e acelerar a adoção em larga escala.
Para quem busca diversificação e rendimentos menos correlacionados à volatilidade típica do mercado cripto, os RWA representam uma ponte estratégica entre as finanças tradicionais e a Web3. Mais do que uma tendência tecnológica, a tokenização de ativos reais sinaliza uma mudança estrutural no acesso ao capital.
Os RWA não são apenas o futuro das finanças — são um presente em rápida expansão.
