Acordo mira custódia e liquidação digital e pode acelerar a transformação dos pagamentos internacionais
O sistema financeiro tradicional acaba de receber um dos anúncios mais relevantes dos últimos anos. O Deutsche Bank, um dos maiores e mais influentes bancos da Europa, firmou uma parceria estratégica com a Ripple, empresa responsável pela infraestrutura blockchain associada ao XRP. O objetivo é integrar soluções de custódia e liquidação digital às operações do banco, em um movimento que pode desafiar a hegemonia do sistema SWIFT nas transferências internacionais.
Há décadas, o SWIFT domina as transações transfronteiriças, mas enfrenta críticas recorrentes por sua lentidão e pelos custos elevados decorrentes de múltiplos intermediários. A proposta da Ripple é oferecer uma alternativa mais ágil e eficiente, baseada em tecnologia blockchain, capaz de liquidar pagamentos em poucos segundos.
Pagamentos em segundos e custos reduzidos
A principal diferença entre os sistemas está na estrutura tecnológica. Enquanto o modelo tradicional depende de mensagens bancárias e compensações entre instituições correspondentes — processo que pode levar de dois a cinco dias úteis — a infraestrutura da Ripple utiliza o XRP Ledger (XRPL), permitindo liquidação praticamente instantânea, em um intervalo médio de três a cinco segundos.
Além da velocidade, o custo também é um fator determinante. As taxas no sistema tradicional variam conforme o número de intermediários envolvidos. Já no modelo baseado em XRP, os custos operacionais tendem a ser significativamente menores, muitas vezes representando frações de centavo por transação.
Para o investidor brasileiro, que frequentemente enfrenta tarifas elevadas e burocracia para enviar ou receber recursos do exterior, a mudança pode representar um divisor de águas. Um sistema mais rápido e barato impacta diretamente empresas exportadoras, fintechs e investidores que operam globalmente.
Foco inicial na custódia, mas com potencial de expansão
De acordo com informações divulgadas pelo portal CriptoFácil, a parceria entre Deutsche Bank e Ripple terá, inicialmente, foco na custódia de ativos digitais para clientes institucionais. No entanto, o potencial de expansão é amplo, especialmente no uso do XRP como moeda-ponte de liquidez em pagamentos internacionais.
O XRP foi projetado para resolver um problema estrutural do sistema bancário: o capital imobilizado em contas de pré-financiamento ao redor do mundo. No modelo atual, bancos precisam manter reservas em diferentes moedas para garantir liquidez em transferências internacionais. Com a tecnologia da Ripple, é possível converter a moeda de origem em XRP, transferi-la quase instantaneamente e convertê-la na moeda de destino no país final, eliminando a necessidade de capital parado em múltiplas jurisdições.
Momento técnico e validação institucional
O anúncio ocorre em um momento de relativa estabilidade para o XRP. Analistas observam que a volatilidade do ativo caiu para os níveis mais baixos registrados em 2024, um fenômeno que, historicamente, pode anteceder movimentos mais expressivos de preço no mercado cripto.
A entrada de um gigante bancário como o Deutsche Bank reforça a percepção de legitimidade institucional do ecossistema Ripple, especialmente após anos de incertezas jurídicas nos Estados Unidos envolvendo a empresa. O movimento sinaliza uma mudança clara de postura: em vez de resistir à tecnologia blockchain, grandes instituições financeiras estão optando por integrá-la às suas estruturas.
Um novo capítulo na disputa pelos pagamentos globais
Embora o SWIFT ainda mantenha posição dominante, a parceria entre Deutsche Bank e Ripple inaugura um novo capítulo na competição pela infraestrutura global de pagamentos. A adoção de soluções baseadas em blockchain por bancos tradicionais indica que a transformação digital do setor financeiro deixou de ser tendência e passou a ser estratégia.
Para o Brasil, que mantém forte relação comercial com Europa e China, um sistema de liquidação mais rápido e eficiente pode gerar impactos positivos em comércio exterior, remessas internacionais e operações corporativas.
A revolução nos pagamentos transfronteiriços já não é uma promessa distante. Com o XRP no centro da integração entre blockchain e sistema bancário tradicional, o mercado observa atentamente os próximos passos dessa parceria e a possível reação de outros grandes bancos globais.
