O mercado brasileiro de stablecoins tem experimentado um crescimento notável, com transações que já ultrapassam US$ 18 bilhões, superando o volume movimentado pelo mercado tradicional de câmbio para turismo. Essa tendência reflete a crescente adoção dessas criptomoedas estáveis como meio de pagamento e reserva de valor no país.
Distribuição e Aplicações das Stablecoins
De acordo com Ibiaçu Caetano, CFO do Bitbank e membro da Associação Brasileira de Câmbio (ABRACAN), a distribuição do uso de stablecoins no Brasil é a seguinte:
- 3% destinados à arbitragem;
- 8% voltados para investimentos;
- 89% utilizados em pagamentos.
Essa predominância no uso para pagamentos evidencia o potencial das stablecoins como ferramentas eficazes para transações financeiras, facilitando operações tanto no âmbito nacional quanto internacional.
Crescimento Significativo e Dados da Receita Federal
Levantamentos da Receita Federal do Brasil, realizados mensalmente desde 2019, indicam um crescimento vertiginoso na movimentação de stablecoins. Esses criptoativos, que mantêm paridade com moedas fiduciárias ou outros ativos, têm se destacado pela estabilidade e facilidade de uso. As stablecoins mais negociadas no país são a USDT (Tether) e a USDC, ambas com paridade com o dólar americano, além da BRZ, vinculada ao real brasileiro.
Impacto no Mercado de Câmbio e Importações de Criptoativos
O aumento no uso de stablecoins tem impactado significativamente o mercado de câmbio brasileiro. Dados do Banco Central mostram que, nos primeiros nove meses de 2024, as importações líquidas de criptoativos no Brasil aumentaram 60,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 12,9 bilhões e superando o total anual de 2023. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento no uso de stablecoins, que representaram quase 70% de todas as transações cripto no país nesse período.
Regulamentação e Perspectivas Futuras
O crescimento acelerado das stablecoins no Brasil tem chamado a atenção das autoridades reguladoras. O Banco Central do Brasil planeja regulamentar as stablecoins e a tokenização de ativos em 2025, conforme indicado pelo presidente Roberto Campos Neto. Essa iniciativa busca proporcionar maior segurança jurídica e fomentar o desenvolvimento sustentável do mercado de ativos digitais no país.
Conclusão
O avanço das stablecoins no Brasil reflete uma transformação significativa no cenário financeiro nacional, com esses ativos digitais ganhando espaço e superando mercados tradicionais, como o de câmbio para turismo. A crescente adoção, aliada aos esforços regulatórios e às iniciativas do setor privado, indica um futuro promissor para as stablecoins como instrumentos financeiros eficientes e acessíveis no país.