as stablecoins, moedas digitais atreladas a ativos como o dólar americano (USDC, USDT), deixaram de ser apenas uma ferramenta de negociação para se tornarem a principal forma de poupança e reserva de valor para milhares de brasileiros. o volume de transações com stablecoins brasil triplicou, e dados recentes indicam que mais de 90% do fluxo de criptoativos no país está ligado a elas, um crescimento exponencial que coloca o ativo no radar do banco central, que agora as classifica como operações de câmbio.
o fenômeno do dólar digital no brasil não é por acaso. em um cenário de incerteza econômica, inflação persistente e desvalorização do real, o brasileiro busca refúgio em ativos que ofereçam estabilidade e facilidade de acesso. as stablecoins preenchem essa lacuna de forma eficiente. elas permitem que qualquer pessoa, com um celular e acesso à internet, converta seu real em uma moeda digital que mantém paridade com o dólar, sem a burocracia e as taxas elevadas das remessas internacionais tradicionais.
dados da chainalysis mostram que o brasil movimentou cerca de r$ 1,7 trilhão (us$ 319 bilhões) em criptoativos entre julho de 2024 e junho de 2025, e a maior parte desse volume é atribuída às stablecoins [1]. o salto no volume e o aumento de mais de 40 mil novos investidores no mercado demonstram que o brasileiro está utilizando o ativo não apenas para especulação, mas como uma ferramenta de proteção patrimonial.
“o brasileiro descobriu que a stablecoin é a forma mais simples e barata de dolarizar uma parte de seu patrimônio. é a democratização do acesso ao dólar, o que explica por que o volume de stablecoins superou o de bitcoin em muitas métricas no país.”
a popularidade das stablecoins, no entanto, atraiu a atenção do banco central. com a nova regulamentação (resoluções 519, 520 e 521/2025), as transações que envolvem a conversão de real para stablecoin (e vice-versa) passam a ser consideradas operações de câmbio. essa classificação tem implicações significativas.
a nossa análise própria aponta que o principal impacto dessa classificação é a potencial mudança na tributação e nas obrigações de reporte. se uma stablecoin é tratada como moeda estrangeira para fins regulatórios, isso pode simplificar ou complicar a vida do investidor, dependendo de como a receita federal interpretará a nova regra. por um lado, pode trazer mais clareza; por outro, pode impor mais burocracia, como a necessidade de declarar operações de câmbio ao bc, algo que antes não era exigido para a compra de criptoativos em geral.
é importante diferenciar os tipos de stablecoins. as mais populares no brasil são as fiat-backed, como usdc e usdt, que são lastreadas em moedas fiduciárias (dólar). no entanto, existem as crypto-backed (lastreadas em outras criptomoedas) e as algorítmicas, que tentam manter a paridade por meio de códigos e incentivos de mercado. o investidor deve estar atento aos riscos de depeg (perda da paridade), que já ocorreram com algumas stablecoins algorítmicas, e priorizar aquelas com maior transparência e auditoria de suas reservas.
apesar dos desafios regulatórios, a tendência é que o uso de stablecoins brasil continue a crescer. elas oferecem liquidez, estabilidade e são a porta de entrada para o ecossistema defi (finanças descentralizadas). o mercado está amadurecendo, e a regulamentação, embora traga exigências, também confere legitimidade e segurança jurídica, o que é fundamental para atrair grandes investidores institucionais.
em conclusão, o dólar digital se consolidou como um ativo essencial para o brasileiro. a classificação como câmbio pelo bc é um marco que exige atenção, mas não deve frear o crescimento. o investidor deve se manter informado sobre as obrigações fiscais e priorizar stablecoins com lastro comprovado para continuar utilizando essa ferramenta poderosa de proteção patrimonial e acesso à economia global [2] [3].
