Tecnologia baseada em blockchain amplia acesso a imóveis, recebíveis e outros ativos antes restritos a grandes investidores
A tokenização de ativos reais, conhecida como RWA (Real World Assets), desponta como uma das tendências mais relevantes do ecossistema Web3 e começa a ganhar espaço no mercado brasileiro. A proposta é simples, mas transformadora: converter bens tangíveis e intangíveis em tokens digitais negociáveis em blockchain, permitindo que investidores adquiram frações desses ativos com valores mais acessíveis.
Na prática, isso significa que ativos tradicionalmente restritos a grandes investidores — como imóveis de alto padrão, obras de arte ou carteiras de recebíveis — podem ser fracionados e disponibilizados ao público em geral. O resultado é um mercado mais líquido, acessível e potencialmente mais eficiente.
Como funciona a tokenização na prática
A tecnologia permite que um ativo físico ou financeiro seja representado digitalmente por meio de tokens registrados em blockchain. Cada token corresponde a uma fração daquele bem, possibilitando que diferentes investidores participem do mesmo ativo.
Imagine investir em uma pequena parte de um empreendimento imobiliário milionário ou em um fluxo de recebíveis de uma grande empresa com um capital inicial reduzido. A tokenização torna esse cenário viável, ampliando o leque de oportunidades para o investidor brasileiro e reduzindo barreiras de entrada.
Além disso, o registro em blockchain garante rastreabilidade, imutabilidade e transparência das operações, reduzindo riscos de fraude e aumentando a confiança no processo.
Casos brasileiros mostram potencial da RWA
No Brasil, iniciativas já começam a demonstrar o impacto da tokenização. A Petrobras tem explorado o uso da tecnologia blockchain para otimizar processos internos e aprimorar a gestão de ativos. Embora a tokenização direta de seus bens ainda esteja em fase de estudos, o movimento sinaliza o interesse de grandes corporações na inovação.
Outro exemplo é a AmFi, fintech brasileira que atua na tokenização de duplicatas escriturais — títulos de crédito digitais amplamente utilizados no mercado empresarial. Segundo estimativas da própria empresa, a utilização da tokenização pode reduzir custos operacionais em até 38%, evidenciando ganhos de eficiência relevantes para o setor financeiro.
Esses casos indicam que a RWA vai além do discurso teórico e começa a se consolidar como ferramenta prática de modernização do mercado.
Transparência, eficiência e inclusão financeira
Entre os principais benefícios da tokenização estão:
- Maior liquidez de ativos tradicionalmente pouco negociáveis
- Redução de custos operacionais
- Ampliação do acesso a investimentos
- Transparência e segurança proporcionadas pela blockchain
Para um país como o Brasil, que busca ampliar a inclusão financeira e modernizar o sistema de capitais, a RWA surge como alternativa estratégica. A possibilidade de fracionar ativos amplia o acesso a oportunidades e permite maior diversificação de portfólio, especialmente para investidores de varejo.
O desafio regulatório
Apesar do potencial, o avanço da tokenização depende de um ambiente regulatório claro e estável. A segurança jurídica é elemento central para atrair capital institucional e consolidar o mercado.
O Banco Central e outros órgãos reguladores acompanham de perto o desenvolvimento da tecnologia, buscando equilibrar inovação e proteção ao investidor. A definição de diretrizes específicas será determinante para que o Brasil se posicione como protagonista na tokenização de ativos.
Uma transformação estrutural no mercado de investimentos
Para o investidor brasileiro, compreender a tokenização de ativos reais deixou de ser opcional. A tendência aponta para um mercado mais inclusivo, eficiente e digitalizado.
Mais do que uma inovação tecnológica, a RWA representa uma mudança estrutural na forma como ativos são estruturados, negociados e distribuídos. Se consolidada sob bases regulatórias sólidas, a tokenização pode redefinir o panorama dos investimentos no Brasil, abrindo caminho para uma nova era de democratização financeira.
