A tokenização de ativos no Brasil deixou de ser um experimento de nicho e se consolidou como uma das maiores forças transformadoras do mercado financeiro e do ecossistema Web3. Projeções recentes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que o volume de ativos tokenizados no país deve ultrapassar os R$ 4 bilhões já em 2025, um salto que confirma o amadurecimento regulatório e a crescente demanda por alternativas mais líquidas, transparentes e acessíveis para investidores de todos os perfis.
A tecnologia, que converte direitos sobre ativos reais ou financeiros em tokens digitais negociáveis, está redefinindo o conceito de propriedade e abrindo caminho para uma democratização sem precedentes no acesso a investimentos antes restritos ao grande capital.
A virada de chave: da promessa à consolidação
A estimativa de R$ 4 bilhões em ativos tokenizados representa mais do que um marco numérico: simboliza a confiança institucional de que a tokenização é uma tecnologia preparada para escalar. Em um modelo tradicional, ativos como imóveis, recebíveis ou obras de arte são conhecidos pela baixa liquidez e pelos altos custos de intermediação. A tokenização elimina parte dessas barreiras, permitindo que esses ativos sejam fracionados, digitalizados e negociados com rapidez, transparência e custos reduzidos.
Esse ritmo acelerado reduz drasticamente o tempo necessário para transformar um ativo em liquidez. Um imóvel que levaria meses para ser vendido pode ter sua propriedade dividida em milhares de tokens, possibilitando que qualquer investidor compre uma fração e negocie em minutos — uma mudança estrutural que aproxima o mercado brasileiro do que já ocorre em hubs de inovação como Estados Unidos, Europa e Ásia.
CVM revisa regras e impulsiona a segurança do mercado
A CVM tem desempenhado o papel central nessa evolução. A recente consulta pública que discute a reforma da Resolução CVM 88 — originalmente criada para regulamentar plataformas de crowdfunding — é um passo decisivo para adaptar o arcabouço regulatório à complexidade da tokenização.
A proposta busca separar com clareza os utility tokens, que não configuram valores mobiliários, dos security tokens, que representam direitos econômicos típicos de investimentos regulados. Essa diferenciação é essencial para proteger investidores sem impedir o avanço da inovação. A previsibilidade regulatória é justamente o que tem atraído grandes instituições financeiras, startups e plataformas especializadas, criando um ciclo virtuoso de expansão.
O olhar crítico: por que a tokenização importa agora
Para o investidor comum, a tokenização é, talvez, a aplicação mais concreta da Web3 no cotidiano. Ela transforma a relação com ativos que antes estavam fora do alcance do pequeno investidor. Projetos imobiliários de grande porte, créditos de carbono e recebíveis corporativos passam a fazer parte de carteiras diversificadas, oferecendo retornos descorrelacionados e novas estratégias de construção de patrimônio.
O desafio, agora, é garantir que a velocidade da inovação seja acompanhada pela mesma agilidade regulatória. A CVM tem sinalizado disposição para isso, mas o avanço tecnológico segue rápido, exigindo constante atualização das regras.
Brasil na liderança: liquidez, diversidade e segurança jurídica
O mercado brasileiro já ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em emissões tokenizadas, com quase 30 plataformas ativas no país. A variedade de ativos já tokenizados inclui recebíveis, frações imobiliárias, créditos de carbono e até direitos judiciais — cada um deles atendendo a diferentes perfis de risco e retorno.
A soma entre ecossistema vibrante, avanço regulatório e adoção crescente por investidores institucionais coloca o Brasil em posição de destaque global. Em um cenário no qual a tokenização já é vista como a próxima fronteira dos mercados financeiros, o país surge como um protagonista relevante.
A revolução não é especulativa, nem distante. A tokenização já está aqui — e está redefinindo o presente do investimento.
