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	<title>security token offering &#8211; Brasil Crypto News</title>
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		<title>Fundamentos da Tokenização (Parte 2): o funil de tokenização, da decisão de emitir à negociação dos tokens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alex Godoi]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 13:02:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na Parte 1 desta série, vimos o que é tokenização, por que ela permite fracionar ativos e quais benefícios promete para investidores e emissores. Agora é hora de responder a uma pergunta mais prática: como um ativo é efetivamente tokenizado? A resposta passa pelo que o mercado — e o estudo da Deloitte Brasil que [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Na Parte 1 desta série, vimos o que é tokenização, por que ela permite fracionar ativos e quais benefícios promete para investidores e emissores. Agora é hora de responder a uma pergunta mais prática: <strong>como um ativo é efetivamente tokenizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta passa pelo que o mercado — e o estudo da Deloitte Brasil que serve de base para esta série — chama de <strong>funil de tokenização</strong>: uma sequência de cinco estágios que vai da intenção de criar um token até a custódia dos títulos gerados. Neste artigo, percorremos as quatro primeiras etapas. A quinta, a custódia, merece um texto próprio e será o tema da Parte 3.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O funil de tokenização em cinco estágios</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A imagem do funil é útil porque cada etapa filtra e transforma o ativo até que ele exista como um token negociável e protegido. Os cinco estágios são:</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><td><strong>Fase</strong></td><td><strong>Nome</strong></td><td><strong>O que acontece</strong></td></tr></thead><tbody><tr><td>A</td><td>Intenção de tokenizar</td><td>A instituição decide digitalizar um título — original ou lastreado — e, na maioria dos casos, fracioná-lo.</td></tr><tr><td>B</td><td>Emissão dos tokens</td><td>Os tokens são criados na blockchain, internamente ou por meio de uma tokenizadora terceirizada.</td></tr><tr><td>C</td><td>Venda no mercado primário</td><td>Os tokens são ofertados aos primeiros investidores por meio de uma STO (Security Token Offering).</td></tr><tr><td>D</td><td>Negociação no mercado secundário</td><td>Investidores trocam tokens entre si em plataformas, com contratos inteligentes garantindo a liquidação.</td></tr><tr><td>E</td><td>Custódia</td><td>Os tokens são armazenados e protegidos em carteiras digitais (tema da Parte 3).</td></tr></tbody></table></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fase A: a intenção de tokenizar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo começa com uma decisão de negócio. Uma empresa, um banco, uma securitizadora ou um proprietário de ativo conclui que os benefícios da tokenização — menor custo de captação, acesso a mais investidores, liquidez — justificam o esforço. Nesse momento, define-se se o token será <strong>nativo</strong> (a dívida ou participação nasce digital) ou <strong>lastreado</strong> (representa um ativo que já existe fora da blockchain).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o estudo da Deloitte trate essa fase de forma sintética, na prática ela concentra decisões que determinam o sucesso ou fracasso de todo o projeto:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Definição do lastro e da estrutura jurídica:</strong> quem é o titular legal do ativo? Será criada uma sociedade de propósito específico (SPE) ou utilizada uma securitizadora? Como o direito do investidor sobre o ativo é garantido fora da blockchain?</li>



<li><strong>Enquadramento regulatório:</strong> o token é um valor mobiliário? Se sim, qual norma rege a oferta? No Brasil, hoje, a resposta costuma estar na Resolução CVM 88 (crowdfunding, para captações menores) ou na Resolução CVM 160 (ofertas públicas tradicionais).</li>



<li><strong>Escolha da rede:</strong> blockchain pública (Ethereum, Polygon, Solana), rede permissionada ou solução híbrida? A escolha afeta custos, transparência, interoperabilidade e requisitos de compliance.</li>



<li><strong>Modelo econômico:</strong> quantos tokens, qual o valor unitário, como os rendimentos serão distribuídos e quais taxas incidem.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fase B: a emissão — fazer internamente ou contratar uma tokenizadora?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Decidido o &#8220;quê&#8221;, vem o &#8220;como&#8221;. A instituição precisa escolher entre desenvolver a capacidade de emitir tokens por conta própria ou contratar um fornecedor especializado — as chamadas <strong>tokenizadoras</strong>, que se multiplicaram no Brasil e no mundo nos últimos anos. A pergunta central é simples: a instituição tem capacidade técnica, tempo e capital para tokenizar sozinha?</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><td>&nbsp;</td><td><strong>Tokenização interna</strong></td><td><strong>Tokenização por terceiros (tokenizadora)</strong></td></tr></thead><tbody><tr><td>Prós</td><td>Controle total sobre o processo; potencial de ganho de escala; possibilidade de oferecer o serviço a outras instituições no futuro.</td><td>Aproveita a experiência do fornecedor; mais rápido e econômico para começar; alta escalabilidade sem montar equipe própria.</td></tr><tr><td>Contras</td><td>Exige conhecimento técnico especializado; alto custo e tempo de implantação; curva de aprendizado longa.</td><td>Menor controle sobre o processo; produto mais padronizado; poder de negociação limitado, já que ainda há poucos players consolidados.</td></tr><tr><td>Indicado para</td><td>Grandes bancos, bolsas e gestoras com orçamento de tecnologia e visão de longo prazo.</td><td>Empresas médias, securitizadoras e originadores que querem testar o modelo sem investimento pesado.</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No mercado brasileiro, essa segunda via tem predominado. Securitizadoras e plataformas especializadas concentram boa parte do volume: a VERT Capital, por exemplo, informa ter tokenizado mais de R$ 3,7 bilhões em ativos, enquanto tokenizadoras como Nexa Finance e AmFi — esta última a primeira plataforma autorizada pela CVM a ofertar ativos tokenizados — operam centenas de milhões de reais sob gestão. Grandes bancos, por sua vez, têm investido em infraestrutura própria, inclusive em conexão com o projeto Drex do Banco Central.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nota técnica:</strong> do ponto de vista do código, emitir um token geralmente significa publicar um contrato inteligente que segue um padrão da rede escolhida. Na Ethereum e compatíveis, o padrão mais conhecido é o ERC-20 (tokens fungíveis). Para security tokens, existem padrões que embutem regras de compliance diretamente no contrato — como listas de investidores autorizados (whitelists), limites de transferência e travas regulatórias —, a exemplo dos padrões ERC-1400 e ERC-3643. É isso que permite que um token &#8220;saiba&#8221; quem pode ou não recebê-lo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fase C: a venda no mercado primário por meio de uma STO</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com os tokens criados, chega o momento de vendê-los aos primeiros investidores. Esse processo é chamado de <strong>STO — Security Token Offering</strong>, ou oferta de tokens de títulos. A analogia mais próxima no mercado tradicional é o IPO (oferta pública inicial de ações); no mundo cripto, a comparação natural é com as ICOs (ofertas iniciais de moedas) que marcaram o ciclo de 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diferença fundamental está no enquadramento: enquanto muitas ICOs operaram em um vácuo regulatório e terminaram em fraudes ou projetos abandonados, as STOs são, por definição, ofertas de valores mobiliários — e, portanto, sujeitas às regras de proteção ao investidor do país onde ocorrem.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><td><strong>Característica</strong></td><td><strong>IPO (ações)</strong></td><td><strong>ICO (tokens de utilidade)</strong></td><td><strong>STO (security tokens)</strong></td></tr></thead><tbody><tr><td>O que é vendido</td><td>Ações de uma empresa</td><td>Tokens de uso em um protocolo, sem direito sobre ativos</td><td>Tokens que representam valores mobiliários (dívida, participação, recebíveis)</td></tr><tr><td>Regulação</td><td>Rigorosa (CVM, SEC etc.)</td><td>Historicamente mínima ou inexistente</td><td>Rigorosa; segue regras de valores mobiliários</td></tr><tr><td>Custo de emissão</td><td>Alto (bancos, advogados, auditorias)</td><td>Baixo</td><td>Intermediário: menor que IPO graças à automação</td></tr><tr><td>Lastro</td><td>Patrimônio e resultados da empresa</td><td>Geralmente nenhum</td><td>Ativo real ou direito contratual</td></tr><tr><td>Negociação</td><td>Bolsa, em horário de pregão</td><td>Exchanges cripto, 24/7</td><td>Plataformas autorizadas; potencial 24/7</td></tr></tbody></table></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prós e contras das STOs</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A favor:</strong> regras mais rígidas que protegem o investidor; valor atrelado a ativos reais, o que favorece uma precificação justa; custo inferior ao de um IPO tradicional, já que contratos inteligentes substituem parte do trabalho jurídico e operacional; economia de tempo pela redução de burocracia; e possibilidade de negociação contínua.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contra:</strong> regulação mais exigente do que a de ICOs (o que é um custo para o emissor, ainda que uma proteção para o investidor); requisitos legais em constante mudança, exigindo acompanhamento permanente; e barreiras para investidores de outras jurisdições, já que cada país trata security tokens de forma diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, as STOs acontecem, na prática, dentro das duas normas já citadas. A <strong>CVM 88</strong> flexibiliza etapas e tem sido o caminho preferido de plataformas de tokenização e pequenas e médias empresas, com captações mais rápidas e baratas. A <strong>CVM 160</strong> segue o rito das ofertas públicas tradicionais, com mais exigências — e, por isso mesmo, tem concentrado as operações de maior porte e maior participação institucional, segundo o RWA Monitor.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fase D: a negociação no mercado secundário</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Comprar um token na oferta inicial é apenas metade da história. Para que a promessa de liquidez se cumpra, é preciso que exista um <strong>mercado secundário</strong> — um lugar onde investidores possam vender seus tokens para outros investidores a qualquer momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui está um dos pontos de atenção mais honestos do estudo da Deloitte: os mercados secundários de security tokens ainda não estão maduros. Existem exchanges cripto consolidadas que oferecem produtos semelhantes, mas poucas plataformas têm os tokens de títulos como produto principal. A expectativa dos reguladores e do mercado é que esse cenário mude rapidamente à medida que as regras ficarem mais claras — no Brasil, por exemplo, a própria CVM já relatou testes de integração entre exchanges descentralizadas e plataformas de crowdfunding.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Contratos inteligentes: o motor do mercado secundário</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O grande diferencial da negociação em blockchain é a possibilidade de usar <strong>contratos inteligentes (smart contracts)</strong> como mecanismo de garantia. Em termos simples, um contrato inteligente é um programa armazenado na blockchain que executa ações automaticamente quando condições predefinidas são atendidas. A lógica é a de uma instrução condicional:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Se/quando</strong> [condição acontecer] <strong>então</strong> [executar ação]. Exemplo: quando o comprador transferir R$ 20 mil em stablecoin para o contrato, então transferir 1 token do vendedor para o comprador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso permite automatizar a liberação de fundos, o registro de propriedade e o envio de notificações. Uma vez concluída, a transação fica registrada de forma imutável, e apenas as partes autorizadas podem visualizar os detalhes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicação mais relevante desse mecanismo para security tokens é a <strong>liquidação atômica</strong>: a transferência simultânea de dois ativos de modo que a operação só se concretize se todas as condições forem cumpridas. O vendedor precisa de fato possuir o token; o comprador precisa de fato ter o valor acordado. Se qualquer lado falhar, nada acontece — eliminando o chamado risco de contraparte, que no sistema tradicional exige câmaras de compensação e dias de espera. No jargão financeiro, é a versão em blockchain do princípio &#8220;entrega contra pagamento&#8221; (DvP).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, os contratos inteligentes automatizam todas as etapas de uma negociação — aceitação dos termos, entrega do título e pagamento ao vendedor —, aumentando eficiência, transparência e confiabilidade. Por isso são considerados um componente fundamental do ecossistema de tokens de títulos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resumo do caminho até aqui</strong></h2>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><td><strong>Fase</strong></td><td><strong>Decisão-chave</strong></td><td><strong>Principal risco a observar</strong></td></tr></thead><tbody><tr><td>A — Intenção</td><td>Token nativo ou lastreado? Qual estrutura jurídica e qual norma?</td><td>Lastro mal definido ou enquadramento regulatório frágil</td></tr><tr><td>B — Emissão</td><td>Tokenizar internamente ou contratar tokenizadora?</td><td>Dependência de fornecedor ou custo excessivo de desenvolvimento</td></tr><tr><td>C — Mercado primário (STO)</td><td>CVM 88 ou CVM 160? Quem pode investir?</td><td>Mudanças nas regras; barreiras a investidores estrangeiros</td></tr><tr><td>D — Mercado secundário</td><td>Em qual plataforma os tokens serão negociados?</td><td>Falta de liquidez; poucas plataformas dedicadas</td></tr></tbody></table></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que vem na Parte 3</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No último artigo da série, fechamos o funil com a Fase E — a custódia dos tokens: onde eles ficam guardados, quem responde pela segurança das chaves criptográficas e quais são as diferenças entre custódia própria, custódia como serviço e autocustódia distribuída. Também vamos mapear as barreiras que ainda travam a adoção em massa e detalhar como a CVM e o Banco Central estão construindo a regulação da tokenização no Brasil em 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Série &#8220;Fundamentos da Tokenização&#8221; — Brasil Crypto News. Texto baseado, entre outras fontes, no estudo &#8220;Tokenização de ativos e títulos&#8221; (Deloitte Brasil, 2024) e em dados de mercado de 2026.</em></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Aviso</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.</strong> Criptoativos e ativos tokenizados envolvem riscos, incluindo volatilidade, falhas tecnológicas, mudanças regulatórias e a possibilidade de perda do capital investido. Antes de investir, pesquise, verifique o enquadramento regulatório da oferta e, se necessário, consulte um profissional habilitado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Tags</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">mercado cripto, blockchain, web3, tokenização, ativos tokenizados, RWA, security tokens, STO, security token offering, contratos inteligentes, smart contracts, CVM 88, CVM 160, tokenizadoras, mercado secundário</p>
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