Declaração sobre tarifa global de 15% amplia aversão ao risco e acende alerta no mercado cripto
A recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível imposição de uma tarifa global de 15% provocou forte reação nos mercados financeiros. Bolsas internacionais registraram aumento da volatilidade e o impacto rapidamente se estendeu ao mercado de criptomoedas, com o Bitcoin rompendo níveis importantes de suporte.
Historicamente, o Bitcoin apresenta correlação com o mercado de ações em períodos de elevada incerteza macroeconômica. Diante do risco de uma guerra comercial mais ampla, investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados de maior risco e buscar proteção em posições mais conservadoras, como o dólar e títulos públicos norte-americanos.
O movimento reflete um cenário clássico de “aversão ao risco”, no qual liquidez e segurança passam a ser prioridade.
Baleias ampliam pressão vendedora e aceleram queda
A instabilidade foi intensificada pela movimentação das chamadas “baleias” — grandes detentores de Bitcoin. Dados on-chain apontam para um volume expressivo de BTC sendo transferido para exchanges, sinal tradicional de possível intenção de venda.
Quando grandes players movimentam ativos em larga escala, o mercado reage rapidamente. Mesmo a simples percepção de que uma liquidação relevante pode ocorrer costuma gerar efeito cascata: investidores de varejo, temendo quedas mais acentuadas, antecipam vendas e ampliam a pressão negativa sobre os preços.
Esse comportamento coletivo contribuiu para acelerar a correção observada nos últimos dias.
Análise técnica: suporte perdido e medo extremo
Do ponto de vista técnico, a perda do suporte em US$ 65 mil acendeu um sinal de alerta. Esse nível vinha sendo defendido pelos compradores nas últimas semanas. Com o rompimento, analistas apontam a região de US$ 62.800 como o próximo suporte relevante no curto prazo.
O sentimento do mercado também se deteriorou. O Índice de Medo e Ganância (Fear & Greed Index), que mede o humor dos investidores com base em múltiplos indicadores, atingiu níveis classificados como “medo extremo”. Esse patamar costuma indicar forte pessimismo e elevada tensão no mercado.
Paradoxalmente, momentos de medo extremo historicamente já antecederam movimentos de recuperação. A conhecida máxima de mercado — “comprar ao som dos canhões e vender ao som dos violinos” — volta a ser mencionada por analistas que enxergam a correção como possível oportunidade de longo prazo.
Ainda assim, permanece a dúvida central: trata-se de uma correção pontual antes de nova alta ou do início de um ciclo de baixa mais prolongado?
Volatilidade deve continuar nos próximos dias
A tendência para o curto prazo é de manutenção da volatilidade. Investidores acompanham de perto qualquer novo desdobramento envolvendo a política tarifária dos Estados Unidos e, sobretudo, os próximos movimentos das baleias.
Sinais de redução nas tensões comerciais ou indícios de acumulação por grandes investidores podem alterar rapidamente o cenário e favorecer uma recuperação nos preços.
Para o investidor brasileiro, o momento exige cautela e estratégia. A queda do Bitcoin impacta diretamente o mercado de altcoins e pode abrir espaço para reavaliação de portfólio, seja por meio de realização parcial de lucros, seja por acumulação gradual em projetos considerados sólidos.
Em cenários de incerteza, disciplina e gestão de risco continuam sendo os principais aliados.
