Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revela alto engajamento da geração entre 18 e 24 anos com tecnologias descentralizadas
Uma pesquisa recente conduzida pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta uma mudança significativa no comportamento digital dos jovens brasileiros. Segundo o levantamento, pessoas entre 18 e 24 anos lideram o interesse e a exposição às tecnologias da chamada Web3, sinalizando uma transformação estrutural na forma como o país pode construir e participar da economia digital nos próximos anos.
Uma nova geração moldando a internet descentralizada
A Web3, conceito que engloba tecnologias como blockchain, criptomoedas, NFTs e metaverso, propõe uma internet mais descentralizada, na qual os usuários possuem maior controle sobre seus dados e ativos digitais. Para a geração Z e jovens millennials, esse modelo representa uma evolução natural do ambiente digital em que cresceram.
Diferentemente da Web2, dominada por grandes plataformas centralizadas, a Web3 abre espaço para novas formas de interação, criação de valor e participação econômica. Esse cenário tem atraído jovens não apenas como usuários, mas também como protagonistas no desenvolvimento dessas tecnologias.
Brasil desponta como potencial hub de inovação
O engajamento da juventude brasileira vai além do consumo. Muitos já atuam diretamente na criação de projetos, seja como desenvolvedores de blockchain, designers de experiências no metaverso, criadores de NFTs ou gestores de comunidades descentralizadas.
Esse movimento fortalece a posição do Brasil como um potencial polo de inovação em Web3 na América Latina, atraindo investimentos e impulsionando o surgimento de startups voltadas ao setor. A combinação de criatividade, familiaridade digital e interesse por novas tecnologias contribui para esse cenário promissor.
Impactos no mercado de trabalho e novas carreiras
A ascensão da Web3 também traz mudanças relevantes para o mercado de trabalho. Empresas que desejam se manter competitivas precisarão adaptar suas estruturas para atrair talentos com habilidades voltadas ao universo descentralizado.
Ao mesmo tempo, cresce a demanda por profissionais especializados, abrindo espaço para carreiras que até pouco tempo não existiam. O Brasil, com sua ampla base jovem, pode se consolidar como exportador de talentos para o mercado global.
Jovens lideram nova frente de investimentos digitais
No campo dos investimentos, a Web3 oferece diversas possibilidades, desde criptomoedas até DeFi e DAOs. Jovens brasileiros, mais familiarizados com o ambiente digital e com maior disposição ao risco, estão na linha de frente dessa transformação.
Apesar das oportunidades, especialistas destacam a importância da educação financeira e da conscientização sobre os riscos de um mercado ainda volátil. A busca por informação qualificada e a diversificação de investimentos são consideradas essenciais.
Transformações culturais e sociais em curso
Além dos impactos econômicos, a adoção da Web3 reflete mudanças culturais profundas. A valorização da propriedade digital, o fortalecimento de comunidades descentralizadas e a busca por privacidade indicam uma geração mais crítica aos modelos tradicionais.
Essa nova mentalidade pode influenciar áreas como educação, entretenimento e até governança, promovendo formas mais participativas e descentralizadas de organização social.
Um movimento irreversível
Os dados da pesquisa indicam que o avanço da Web3 entre jovens brasileiros não é uma tendência passageira, mas um movimento consistente. Com investimento adequado em educação, infraestrutura e regulação, o Brasil tem potencial para se tornar um dos protagonistas da economia digital global.
A nova geração não apenas acompanha essa transformação, mas atua diretamente na construção do futuro digital do país.
