A Coinext, uma das corretoras de criptomoedas mais tradicionais do país, anunciou no início de setembro o fim das suas operações de varejo no Brasil. Na prática, isso significa que a empresa vai parar de vender e guardar bitcoin, ether e outros ativos digitais para pessoas físicas. Fundada em 2017, em Belo Horizonte, e com mais de 420 mil clientes, a Coinext se torna a quarta exchange a sair do mercado de varejo cripto brasileiro em menos de cinco meses.
Por trás dessa onda de fechamentos está a nova regulação do Banco Central, e um prazo que já entrou na contagem regressiva. Até 30 de outubro, toda empresa que presta serviço com criptoativos no Brasil precisa ter protocolado um pedido formal de autorização para continuar operando. Quem não conseguir cumprir esse prazo corre o risco de ser obrigado a encerrar as atividades em até 30 dias. Para os milhões de brasileiros que compraram sua primeira criptomoeda nos últimos anos, uma pergunta ficou urgente: e se a minha corretora for a próxima da lista?
Uma fuga que já soma quatro corretoras em 2026
A saída da Coinext não é um caso isolado. É o quarto capítulo de uma sequência que começou em abril, quando a Bitnuvem encerrou seu varejo citando o peso dos custos e das novas exigências regulatórias. Dois meses depois, em junho, foi a vez da NovaDAX, que ocupava a 5ª posição no ranking de volume negociado do Cointrader Monitor, encerrar operações após uma “avaliação estratégica” conduzida por seu controlador chinês. Em agosto, a Digitra.com anunciou que nem tentaria pedir autorização ao Banco Central, deixando cerca de 200 mil clientes em busca de uma nova casa para seus ativos. E agora, em setembro, chegou a vez da Coinext.
Somando apenas os números que as próprias empresas tornaram públicos, os 420 mil clientes da Coinext e os cerca de 200 mil da Digitra.com —, já são mais de 620 mil investidores brasileiros diretamente afetados por apenas duas dessas quatro saídas. Bitnuvem e NovaDAX não divulgaram o tamanho de suas bases de usuários, o que sugere que o número real de pessoas impactadas pela debandada é bem maior do que os dados públicos deixam transparecer.
| Corretora | Saída anunciada | Motivo declarado | Clientes conhecidos |
| Bitnuvem | Abril/2026 | Custos e exigências regulatórias | Não divulgado |
| NovaDAX | Junho/2026 | “Avaliação estratégica” do controlador chinês | Não divulgado (5ª em volume) |
| Digitra.com | Agosto/2026 | Optou por não pedir autorização | ~200 mil |
| Coinext | Setembro/2026 | Exigências regulatórias consideradas inviáveis | 420 mil+ |
No caso da Coinext, o cronograma de encerramento já está em andamento, e vale anotar cada etapa, porque elas têm consequência direta para quem ainda tem saldo na plataforma:
| Data | O que acontece |
| 3 de setembro | Depósitos, novos cadastros e staking suspensos |
| Até 15 de outubro | Prazo final para ordens de compra e venda |
| Até 20 de outubro | Prazo final para saque de criptoativos |
| A partir de 26 de outubro | Saldos remanescentes convertidos automaticamente em reais |
| Até 30 de novembro | Devolução integral dos recursos aos clientes |
A própria Coinext indicou o Mercado Bitcoin e a OKX como alternativas para quem quiser continuar investindo em criptomoedas, sem cobrar comissão pela indicação, segundo a empresa. À frente da companhia, o CEO e cofundador José Artur Ribeiro afirmou que a Coinext chegou a avaliar parcerias e outras alternativas antes de decidir pelo fechamento, mas que nenhuma se mostrou viável diante do novo conjunto de exigências regulatórias, um relato que ecoa o que se ouve, nos bastidores, de outras exchanges que já deixaram o varejo cripto este ano.
Entenda a regulação que está reorganizando o mercado
Para entender por que tantas corretoras estão batendo em retirada, é preciso voltar a novembro de 2025, quando o Banco Central publicou as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521. Esse é o marco legal que, desde 2 de fevereiro de 2026, regula formalmente quem pode oferecer serviços com criptoativos no país. A partir dele, nasceu uma nova categoria de empresa supervisionada: a PSAV (ou SPSAV, no termo mais técnico usado pelo próprio BC), sigla para (Sociedade) Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais.
Virar uma PSAV, na prática, significa operar sob regras parecidas com as de uma instituição financeira tradicional. A lista de exigências inclui capital mínimo compatível com o porte do negócio, sede própria no Brasil, segregação entre o patrimônio da empresa e o dinheiro dos clientes, controles de prevenção à lavagem de dinheiro, uma área dedicada à gestão de risco, trilha de auditoria completa, política de cibersegurança e a adoção progressiva da chamada Travel Rule, a regra internacional que obriga rastrear quem envia e quem recebe em transferências de criptoativos.
O prazo de adequação é de 270 dias a partir da entrada em vigor da norma, o que resulta justamente na data-limite de 30 de outubro de 2026. Quem já protocolou o pedido de autorização dentro do prazo pode seguir operando normalmente enquanto o Banco Central analisa o processo. Quem não protocolar, por outro lado, corre o risco real de ter que suspender as atividades em até 30 dias.
E não é barato se enquadrar. O capital mínimo exigido varia de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, dependendo da atividade, intermediação, custódia, infraestrutura ou tokenização —, segundo levantamento do Valor Econômico. Empresas estrangeiras que hoje atendem clientes brasileiros também vão precisar constituir uma entidade formal no país para continuar operando de forma legal.
É esse custo de entrada, somado à complexidade de se transformar, na prática, em uma instituição financeira regulada, que está deixando pelo caminho as exchanges menores ou com menos fôlego financeiro. Bancos que já têm licença do Banco Central e gestoras autorizadas pela CVM, por outro lado, podem operar com criptoativos sem precisar de uma nova autorização específica. Isso dá a eles uma vantagem competitiva relevante e deve acelerar a consolidação do setor nos próximos meses, um movimento que tende a concentrar o mercado brasileiro de cripto em menos mãos, e mãos maiores.
O que o governo diz: as razões declaradas por trás do aperto regulatório
Do outro lado do balcão, a versão do Banco Central e da Receita Federal para essa onda de exigências se apoia em quatro frentes que aparecem, direta ou indiretamente, em documentos e falas oficiais recentes.
1. Combate a fraudes e golpes financeiros
A frente mais recente e mais dura veio na ata da 66ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central, divulgada em 2 de setembro, poucos dias antes do anúncio da Coinext. O documento identificou uma “sofisticação” nos golpes e ataques cibernéticos ocorridos neste ano e apontou os criptoativos como o meio primário para o escoamento dos valores obtidos com essas fraudes financeiras. Segundo dados do próprio BC citados na ata, o Sistema Financeiro Nacional registrou 76 incidentes cibernéticos relevantes em 2025, alta de 29% sobre 2024 —, com a Inteligência Artificial acelerando a escala e a velocidade dos ataques.
2. Prevenção à lavagem de dinheiro
Segundo o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, o desafio foi equilibrar o incentivo à inovação com a segurança do sistema financeiro. O debate sobre ativos virtuais, segundo ele, “tem grande repercussão em organismos nacionais e internacionais” e envolve diretamente “questões ligadas à estabilidade financeira e ao uso desses instrumentos para ocultação de patrimônio”. Nas palavras do diretor, as novas regras “vão reduzir o espaço para golpes, fraudes e o uso desse mercado para lavagem de dinheiro”, o que inclui, pela primeira vez, exigir das corretoras de cripto os mesmos processos de identificação de cliente (KYC) já obrigatórios para bancos.
3. Proteção ao consumidor e segregação patrimonial
Um dos pilares mais técnicos da resolução é a exigência de que as empresas mantenham o dinheiro dos clientes completamente separado do caixa da própria operação, a chamada segregação patrimonial. A regra existe há décadas no mercado financeiro tradicional, mas ganhou urgência depois do colapso da corretora global FTX, em 2022, quando bilhões de dólares de clientes foram misturados às operações da empresa-irmã Alameda Research antes de tudo desmoronar. É essa lição que o Brasil tenta aplicar preventivamente ao próprio mercado.
4. Defesa da soberania cambial
Essa é a frente menos comentada publicamente, mas a mais diretamente ligada à suspeita de fuga de capital. O Banco Central identificou que corretoras e stablecoins vinham sendo usadas como canal para tirar dinheiro do Brasil sem passar pelo sistema bancário tradicional, enviar dólares via stablecoin podia custar menos de 1% do valor movimentado, contra 2% a 5% de uma transferência bancária convencional (spread, tarifas e IOF). Em maio de 2026, o BC fechou essa brecha, passando a exigir contrato de câmbio formal para esse tipo de operação, sob pena de multa de até 100% do valor. Na letra da própria Resolução nº 521, o Banco Central resume o objetivo como conferir “maior eficiência e segurança jurídica” a essas operações, “evitar arbitragens regulatórias” e “resguardar as estatísticas e as contas nacionais”.
Vale uma correção de contexto sobre um ponto frequentemente mal explicado: a ideia de que corretoras estrangeiras sem sede no Brasil, como Binance, Coinbase, OKX e KuCoin, que operam no país com sites em português, ficavam totalmente “isentas” de rastreamento não é exatamente precisa. Pela Instrução Normativa RFB nº 1.888/2019, é verdade que a obrigação de reportar automaticamente todas as operações, sem piso de valor, recaía apenas sobre exchanges domiciliadas no Brasil; para quem usava plataformas no exterior, a Receita Federal sempre dependeu da autodeclaração mensal do próprio investidor, exigida sempre que o total ultrapassasse R$ 30 mil. Em 2023, a Receita chegou a convocar publicamente essas exchanges estrangeiras para maior cooperação, “nos preocupa ter essa informação de riqueza de brasileiro que estaria sujeita à tributação aqui no Brasil”, disse à época a subsecretária de Fiscalização, Andrea Chaves. A própria IN 1888 está a caminho de ser substituída pela nova DeCripto, que incorpora o padrão internacional de troca automática de informações da OCDE, outro sinal de que essa brecha vinha sendo fechada de forma gradual, não da noite para o dia.
Um adendo de honestidade jornalística permanece válido depois de toda essa apuração: não localizamos um número oficial que compare, lado a lado, quanto capital sai do Brasil por corretoras de cripto contra quanto entra. A suspeita de fuga de capital é, até onde se apurou, uma preocupação regulatória real e documentada, o mecanismo de evasão via stablecoins foi a própria razão declarada para a norma de maio de 2026 —, mas não uma estatística de saldo líquido divulgada publicamente. Se o Banco Central publicar esse balanço específico, o Brasil Crypto News atualiza esta cobertura.
Por fim, o próprio Banco Central já sinalizou que espera, e aceita, uma redução no número de empresas do setor como efeito colateral do aperto regulatório. Em painel promovido pela Hacken, em janeiro de 2026, o coordenador do Drex no Banco Central, Fabio Araujo, disse que o país “vive um momento de consolidação, marcado por exigências mais rígidas e pela necessidade de profissionalização”, acrescentando que as mudanças “podem acelerar a maturidade do setor, mas também podem reduzir o número de empresas ativas nos próximos anos”. A previsão se confirma nos números: antes das regras finais, fontes de mercado ouvidas pelo Valor Econômico estimavam entre 150 e 200 empresas buscando autorização; a projeção mais recente é de pouco mais de 50, uma queda de 67% a 75% no total de players que devem restar no mercado regulado.
Para Julia Rosin, diretora-presidente da ABcripto (Associação Brasileira de Criptoeconomia), o custo regulatório é o verdadeiro filtro do momento: “Você vai criando camadas de complexidade dentro da oferta de um serviço por conta da demanda do custo regulatório.” Segundo ela, isso empurrou empresas menores a buscar alternativas, terceirização, internacionalização, fusões ou venda pura e simples da operação —, o que ajuda a entender por que Bitnuvem, NovaDAX, Digitra.com e Coinext escolheram sair do varejo em vez de tentar se adequar.
Por que isso importa: o tamanho real do mercado cripto no Brasil
Não estamos falando de um nicho pequeno. De acordo com a 2ª Pesquisa Nacional de Criptomoedas, feita pelo Datafolha em parceria com a Paradigma, 17,2% dos brasileiros com mais de 16 anos já tiveram algum criptoativo, o equivalente a cerca de 29 milhões de pessoas. Para efeito de comparação, esse número é 2,3 vezes maior do que o de brasileiros que já investiram em ações na bolsa (7,4%). O Brasil soma hoje cerca de 6,5 milhões de investidores ativos em criptoativos, segundo estimativas do setor.
E há um dado que interessa especialmente a quem acompanha esse mercado de perto: as stablecoins, criptomoedas atreladas ao valor de moedas como o dólar, não são um coadjuvante nesse universo, são o motor principal dele. Segundo auditoria da própria Receita Federal, moedas como USDT e USDC chegaram a representar até 90% de todas as transações declaradas em criptoativos em alguns meses.
No acumulado entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, as stablecoins somaram R$ 1,13 trilhão em volume declarado, 71,7% de tudo o que foi movimentado em criptoativos no período (R$ 1,58 trilhão). Só em novembro de 2025, o volume mensal bateu recorde: R$ 39,7 bilhões. Dentro desse universo, uma stablecoin domina de forma esmagadora: a USDT (Tether) responde sozinha por 88,7% do volume declarado, seguida de longe pela USDC, com 7,1%. Entre as stablecoins atreladas ao real, a BRZ lidera, com 3,4% de participação, um mercado que pode ganhar um concorrente de peso se a B3RL, a stablecoin de real que a B3 vem preparando ao longo do ano, finalmente sair do papel (até o fechamento desta reportagem, a bolsa brasileira ainda não confirmou a data exata de lançamento).
É justamente esse volume bilionário em stablecoins que torna a nova regulação tão sensível. Em paralelo às regras de autorização, o Banco Central também editou a Resolução BCB nº 561/2026, que proíbe o uso de stablecoins e outros ativos virtuais na liquidação direta de operações de câmbio e impõe limites, US$ 100 mil para PSAVs e US$ 500 mil para bancos, em pagamentos internacionais feitos com criptoativos. A medida reacendeu o debate sobre a cobrança de IOF nesse tipo de operação.
O que fazer se sua corretora estiver na lista de saída
Se você tem saldo em uma das corretoras que já anunciaram fechamento, ou simplesmente quer se proteger de uma futura surpresa —, alguns cuidados fazem diferença real:
- Confirme o status regulatório da sua corretora. Empresas que já protocolaram o pedido de autorização junto ao Banco Central podem seguir operando normalmente durante a análise. Um e-mail simples para o suporte, perguntando se o pedido foi feito, costuma resolver a dúvida.
- Fique de olho nos prazos de saque. No caso da Coinext, quem não sacar os criptoativos até 20 de outubro terá o saldo convertido automaticamente em reais a partir de 26 de outubro, o que pode não ser o resultado que você queria, especialmente se os preços estiverem em um momento ruim do mercado.
- Guarde o histórico de operações. Para quem declara Imposto de Renda, preservar extratos e comprovantes evita dor de cabeça na hora de preencher a declaração de criptoativos (a chamada DeCripto) e reduz o risco de cair na malha fina ao migrar de corretora.
- Pesquise antes de escolher a próxima casa. Priorize corretoras que já demonstraram compromisso público com a adequação regulatória, informação que costuma aparecer nas próprias comunicações institucionais da empresa.
Vale um contraponto que costuma passar despercebido em meio ao alarme geral: essa mesma regulação que está deixando corretoras despreparadas pelo caminho é a que vai obrigar as que restarem a operar com padrões de segurança, transparência e proteção ao cliente equivalentes aos de um banco. No médio prazo, quem sobreviver a essa peneira regulatória tende a inspirar mais confiança, um fator especialmente relevante para o investidor iniciante, que muitas vezes evita entrar no mercado cripto justamente por medo de golpes ou de corretoras que somem do dia para a noite.
Perguntas frequentes
O que é uma PSAV?
PSAV é a sigla para Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais, a nova categoria de empresa criada pelo Banco Central para supervisionar quem oferece serviços com criptoativos no Brasil, de corretoras a plataformas de custódia.
Minha corretora vai fechar automaticamente se não pedir autorização até 30 de outubro?
Não de forma imediata, mas o risco é real: empresas sem pedido protocolado até essa data podem ser obrigadas a encerrar as atividades em até 30 dias.
Eu perco meu dinheiro se a corretora fechar?
Esse não é o objetivo da regulação, pelo contrário. Empresas que encerram operações de varejo, como a Coinext, seguem cronogramas para devolver integralmente os ativos e recursos dos clientes. O risco maior está em perder os prazos de saque e acabar com uma conversão automática indesejada.
Por que o Banco Central proibiu usar cripto para enviar dinheiro ao exterior?
Porque identificou que investidores e empresas compravam criptoativos no Brasil e enviavam para carteiras no exterior como forma de driblar o sistema bancário tradicional, mais barato, porém fora do radar do Coaf e da Receita Federal. A regra fecha essa brecha e passa a exigir contrato de câmbio formal para esse tipo de operação.
Por que as stablecoins aparecem tanto nessa discussão?
Porque elas já respondem pela maior parte do volume movimentado em criptoativos no Brasil, mais de 70% de tudo o que é declarado à Receita Federal. Qualquer mudança regulatória no setor cripto tem impacto direto sobre como as stablecoins podem ser usadas no dia a dia.
O que vem a seguir
A onda de saídas deve continuar rendendo notícia nas próximas semanas, à medida que o prazo de 30 de outubro se aproxima. O Brasil Crypto News vai acompanhar de perto os próximos capítulos dessa reorganização do mercado, inclusive o que ela significa para a adoção de stablecoins no comércio brasileiro, tema que já exploramos aqui no portal. Se você ainda não entende bem como funciona uma stablecoin ou por que ela se tornou peça central do mercado cripto no Brasil, esse é um bom próximo passo antes de decidir o que fazer com a sua carteira.
Aviso legal: Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos são investimentos de alto risco, sujeitos a forte volatilidade e à possibilidade de perda total do capital investido. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Antes de investir, avalie seu perfil de risco e, se necessário, busque orientação de um profissional qualificado.
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